17 de outubro de 2014

reflexão para o fim-de-semana

Ontem uma boa amiga partilhou uma imagem no facebook com a seguinte legenda:

"Há quem diga que um irmão seria um gasto a mais, que diminuiria a qualidade daquilo que você já oferece ao seu filho, diminuiria o seu "padrão de vida" (...)"

Eu acredito que a grande, grande maioria dos pais não pense desta forma, no entanto, há por aí uma mesquinha fração de gente que pensa e verbaliza efetivamente estas coisas. Andava eu grávida do Vasco e ouvi algo semelhante de uma jovem mãe. Respondi-lhe que ela é que sabia, mas no meu íntimo tive pena da criança de quem falávamos que seria filha única para sempre se dependesse da mãe.

Interrogo-me: porque têm sequer um filho, estas pessoas?

Eu tenho irmãos e mesmo com todas as arrelias que isso possa ter trazido aos meus pais e a preocupação infinita até aos dias de hoje, tenho a certeza de que para eles não faria sentido ter tido apenas um único filho. De todos os meus amigos filhos-únicos reconheço-lhes semelhanças nos discursos, que passaram secas, que têm atenção concentrada dos pais, que dividem espaços com restrições, que são felizes mas que se tivessem um mano é que era!
Reconheço, naturalmente que os dias de hoje não estão para brincadeiras, que temos de ganhar o nosso lugar no mercado de trabalho, que os ordenados são ranhosos e que em última análise, os filhos sugam todas as nossas energias e também as verbas, claro :) Para nós, a educação das crianças é algo que nos dá dores de cabeça, gostaríamos de ter possibilidades de fazer mais opções caso o necessitássemos, e tenho a certeza que é também aqui que muitos pais fazem contas à vida na altura de terem mais uma criança. Não ter mesmo condições económicas ou de saúde, são para mim, justificações mais do que aceitáveis para evitar mais filhos, agora que me digam que "não dá, não quero" porque "nunca mais iremos de férias" ou "a mensalidade da creche custa tanto quanto um telemóvel", tenham paciência...

10 comentários:

ana rita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Maldivas disse...

Peço desculpa mas não concordo com nada! Primeiro, ter filhos, 1, 2, 3 whatever, é uma opção que nem sequer careceria de ser justificada. E cada pessoa tem direito a ter a justificação que entender. Eu só quero um filho, tenho as minhas razões. Isso faz de mim menos mãe do que já tenho? Menos mulher? Menos digna porque se calhar quero continuar a ter mais tempo para mim? Porque estou consciente dos sacrifícios que implica ter mais um filho - mesmo que seja apenas deixar de ir à aula de tango semanal. Faz isso de mim uma pessoa tão egoísta???? Ou simplesmente alguém que quer expressar a sua liberdade, o seu destino, a sua família como bem entende?!?!?! Tenho um filho, sou mãe e tenho a liberdade de fazer as opções que quero e baseada nos motivos que entendo.

**SOFIA** disse...

Ana Maldivas, este é sem dúvida um assunto controverso. A Ana fez a sua opção, é feliz e considera que a sua criança é feliz com as escolhas que a mãe já fez. Eu fiz o mesmo. Nem a Ana é menos mãe por só querer um filho, nem eu serei uma mãe melhor por já ter dois... Tal como digo no meu texto, consigo perceber que vivemos tempos de apertos, no entanto, em todas as épocas houve dificuldades que os pais souberam ultrapassar. Não havendo dificuldades financeiras ou de saúde, lamento, mas custa-me um bocadinho mais a compreender.

Faltou-me apenas dizer no meu texto, que à semelhança do que me dizem os meus amigos filhos únicos, também os seus pais já me disseram que se pudessem voltavam décadas atras e tinham pelo menos mais um filho.
Eu cá prefiro sempre dar o benefício da dúvida aos mais velhos...

Catarina disse...

Este é um assunto muitas vezes falado cá por casa. Concordo em pleno com a tua opinião e choco muitas vezes com amigos e familiares pelos argumentos que me apresentam para eu não me meter em "aventuras". Compreendo que cada um faça as escolhas que quiser para a sua vida, mas penso que decidir ter um filho único não pode ser uma opção individual, é uma opção que afecta e muito o filho que já se tem.
Eu tenho visto muitos filhos únicos bem aflitos da vida, quando se vêm sozinhos, cheios de encargos e muitas vezes ainda no activo e com vidas complicadas, a não saberem como resolver sozinhos a situação dos pais idosos e dependentes... Deve ser uma angústia...
É complicado, não são decisões que se possam tomar de animo leve, mas se decidimos ter um filho por e para nós, não temos depois o direito de decidir por e para eles um futuro que nunca nos disseram que queriam ter.
A vida não está fácil para ninguém e por isso mesmo temos que tentar deixar-lhes um futuro melhor e o menos penoso possível.
A minha mãe é filha única e cresci com os lamentos dela. Não tenho um único primo. Fui muitos anos a única criança da família e não gostei. Não consigo encontrar vantagens em ter um filho único.

Raquel disse...

Eu sou filha única e sempre pedi um irmão/irmã à minha mãe! Lembro-me, como se fosse hoje, do sítio e do que lhe disse "Mamã come muito, para ficares gorda e eu ter um irmão!" Na altura, o pedido nunca foi aceite, porque eu dei cabo da paciência para comer até aos 11 anos e o meu pai não queria arriscar que viesse outra criança "sem fome" :-)
O que é certo é que há uma coisa que me incomodava quando era pequenina, que era não ter um irmão para brincar. Claro que tinha muitas amigas, brincávamos muito na rua, mas havia sempre alturas em que queria alguém sempre comigo, fosse para deixar de ser o centro das atenções, fosse para ter um bode expiatório para as asneiras que surgiam.
Hoje em dia, confesso que adorava ter um irmão ou irmã unicamente por um motivo, ter alguém com quem desabafar sobre tudo e sobre nada, alguém em quem confiasse de olhos fechados e me conhecesse como um livro aberto. Bem sei que para isso há as amigas e os amigos mas... Para mim, não é a mesma coisa. Pode até ser uma visão muito romântica, porque oiço alguns casos de irmãos que se dão muito mal mas, é a minha visão! :-)
E, como não podia deixar de ser, aos 3 meses do meu primeiro filho, já dizia que queria ter outro e, aos 6 meses assim foi, fiquei grávida outra vez. Têm 15 meses e meio de diferença e adoram-se. Mal acordam abraçam-se, dão beijos e distribuem sorrisos um ao outro! Não é tudo um mar de rosas mas quando os vejo assim... :-) fico de sorriso de orelha a orelha e sei que foi o melhor que podia ter feito. Ainda por cima, eu sou filha única, o meu marido é filho único, a minha sogra é filha única e o tio do meu marido não tem filhos... Era dose extra de "filhice única"! :-)
Beijinhos

**SOFIA** disse...

Catarina: Acredito bem na angústia que um único filho deve sentir quando se sente sozinho a tomar decisões sobre/pelos os pais. Não me tinha ocorrido esta situação e sim, ter irmãos para debater estas questões deve ser uma mais-valia, sem dúvida!

Raquel: eu cá, "se soubesse o que sei hoje" também os tinha tido mais próximos, mesmo correndo o risco de enlouquecer com tantos afazeres de dois bebés :D
Os meus têm quase 3 anos de diferença e embora agora já conversem(!!!) acho que se fossem ainda mais próximos a relação deles era ainda mais espetacular!

Batatafritamãe disse...

Simons,
Acho que esse tipo de decisão é muito pessoal.
Acho que não faz sentido questionar o porquê de ter um só filho. São decisões tomadas por quem os tem (ou não). Cada casal entende e decide.
Ter um irmão não é necessariamente garantia de se ter um amigo e confidente para a vida. Há muitos casos de irmãos que não se dão bem. Eu convivo com isso desde sempre.
Mais, as decisões relativas a pais ou avós ou o que for também não são necessariamente mais fáceis quando existem irmãos. Às vezes são precisamente mais complicadas e morosas.
Penso muitas vezes em ter outro filho, porque tenho receio que os dois que tenho andem sempre às turras. Mas depois penso que o facto de ter mais um não fará deles mais amigos. Infelizmente não é garantia.
Decisões importantes que devem e aó podem ser tomadas pelos pais.

karrapetas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Desculpe, Sofia, mas ter irmãos não é sinónimo de só alegrias. Conheço muitos que se dão mal, não se falam, preocupam as família e não é assim tanto a excepção.

Ter mais um filhos para que o primeiro possa ter irmãos não me convence, Quem tem que desejar as crianças são os pais. Eles não são "brinde" para o primeiro filho.

Se uma família tiver um filho num colégio e lhe quiser proporcionar viagens fantásticas ao longo da vida (coisas que não poderia manter com dois ou três) e se é nisso que acredita, não me parece egoísmo. Está-se a pensar no filho que já existe e no que se lhe deseja proporcionar para a sua formação pessoal.

Atenção que a minha família é enorme a adoro, mas nem todas são iguais. A regra não tem que ser a melhor.

Anónimo disse...

Acho que só deve vir outro filho ao mundo se os pais quiserem, se for só para fazer número e para fazer companhia ao outro irmão, então não. Todos os filhos devem ser desejados, mesmo que não tenham sido pensados. Eu gosto de uma casa cheia e dispenso o padrão de vida, são opções (também acho triste comparar um filho a férias e telemóveis...), mas também há irmãos que se dão tão mal e há pais idosos abandonados por muitos filhos com muitos irmãos.
tica