18 de junho de 2010

Era uma vez...


Morreu hoje o meu escritor contemporâneo preferido, quando cheguei ao escritório, depois do almoço, o burburinho era flagrante e depois lá percebi o que se passava: morreu Saramago!
Nada que não estivesse previsto há algum tempo, talvez desde as Intermitências da Morte ou A Viagem do Elefante, mas sabê-lo é sempre triste. Sem dúvida que Saramago é o único escritor que me entusiasma e diverte com o seu tom sarcástico, não há Natal sem Saramago e feliz, ou infelizmente ainda me faltam alguns títulos para completar a sua obra, portanto ainda há Natais assegurados ;)

O meu primeiro "Saramago" foi o Memorial do Convento, era suposto lê-lo na escola mas depois não chegou a acontecer, optou-se pela "Aparição", da qual também gostei imenso. Confesso que precisei de duas tentativas para conseguir ler o Memorial, mas quando o terminei lembro-me de o ter achado fascinante e o sorriso não me largou a cara durante algum tempo. Depois seguiram-se A Caverna, O Evangelho, Os Ensaios, As Intermitências, A Viagem, Todos os Nomes e agora ando a ler A Jangada de Pedra.

O livro de que mais gostei foi talvez o Evangelho Segundo Jesus Cristo, pela abordagem tão "tu cá, tu lá", em que Jesus é um tipo normal, Maria, José, os apóstolos, Madelena, tudo gente normalíssima e que tinham histórias para contar.
O Ensaio sobre a Cegueira adorei pela brutalidade da história, é sem dúvida o livro mais violento que li do Saramago, o conceito da história é muito bom e bem desenvolvido, somos mesmo maus!
A Caverna foi o que mais me comoveu, o desgraçado do oleiro, passado para trás pelo consumismo maluco. O cão desta história levou-me às lágrimas e foi a única vez que isto me aconteceu.
O Ensaio sobre a Lucidez, foi autografado na sua apresentação, adorei essa conferência, nesse dia percebi claramente o discurso dos livros, pela maneira como ele falava: "no nosso discurso oral não usamos pontuação, para quê escrevê-la?" É controverso, mas todos temos direito às nossas opiniões e de interpretar a nossa língua escrita ou oral da maneira que mais nos cativar. Em relação a este livro, tenho pena, mas não posso falar muito sobre ele, não cheguei a meio, deu-me seca as questões filosóficas dos partidos da esquerda, da direita e do meio. Mas o conceito é novamente muito bom!!! E se todos votassemos em branco, heim?

Vou ter saudades de não ter novos romances.
Depois de terminar a Jangada de Pedra (anda ligeiramente em pausa...) hei-de ler O Ano da Morte de Ricardo Reis e A História do Cerco de Lisboa.

Era uma vez...

José Saramago 1922-2010

3 comentários:

administrador disse...

o que vale é que ainda faltam alguns da lista.

karu disse...

Apesar de esperado (há mt que víamos o envelhecer notório) para mim foi um choque. Talvez por tb o sentir tão presente em casa, foi uma grande perda, quase pessoal.

R. disse...

Partilhamos o gosto por este grande escritor! Curiosamente a única vez que também chorei com um livro foi precisamente com um da sua obra - o Memorial!

RIP!