4 de fevereiro de 2011

Somos números

De acordo com esta notícia do Correiro da Manhã, será obrigatório que as crianças, entendam-se bebés!, tenham NIF (Número de Identificação Fiscal). Ainda há dias uma amiga enviou-me um e-mail a alertar-me para as novas regras das deduções no IRS e chegámos a trocar umas ideias sobre a parvoíce que esta história é. Na minha cabecita ainda não faz sentido que um bebé seja "Um Contribuinte", isto porque as crianças não têm rendimentos (sem falar naquelas a quem foi cortado o abono), Nós, os pais é que as sustentamos, pagamos as creches privadas, os pediatras privados, os medicamentos, as vacinas....... Mas não, a partir de agora, estas contas são do Contribuinte Bebé. A partir de agora TODAS as despesas que temos com as crianças, as facturas têm obrigatoriamente que vir com os seus dados, na minha opinião acho isto escusado e sinceramente não percebo. Gostaria muito que viesse aqui alguém, que percebesse de finanças (e que não tivesse ligações polítias) e que explicasse a toda a gente que manobra é esta. Pelo que leio, as opiniões dividem-se em "é uma palermice" e "é assim mesmo, que anda aí muito gatuno a fazer de conta que tem filhos", oh por favor...

Outra vertente desta história, é a grande sensação que eu tenho de que cada vez mais, o nosso nome é somente decorativo. Pelos vistos, os recém-nascidos ao saírem das maternidades já vão ter carimbado num papelito o seu NIF, acho isto detestável, para quê começar logo com estas complexidades fiscais. Somos números e mais números: BI, NIF, Eleitor, Carta de Condução, Segurança Social, SNS, ....... ao menos que simplifiquem a coisa de modo a sermos apenas conhecidos por um único número e vá lá uma ou duas letras. Assim passamos a ter diálogos deste género:

- Olá, 364928A3, estás boa!
- Olá 567290F34, estou, venho das finanças, acabei de entregar o Modelo 3 do IRS...

5 comentários:

Madame Pirulitos disse...

Ora nem mais!

Bolas, queria acalmar-te e não consigo.

Mas assim como assim já somos simplesmente mães ou mães do ou da...
(embora tenha mais orgulho nisso, embora me irrite um bocadinho, do que em ser simplesmente o número x ou y).

Por um lado, é só uma questão de dar mais trabalho porque como não ando a enganar ninguém posso perfeitamente pôr os recibos em nome dele/deles. Até agora, a maioria das vezes, punha em meu nome que eu é que pago. Olaré.
Mas se isso ajudar a acabar com a fraude (que como é que se faz de conta que se tem filhos que não se tem?) eu se calhar, lá bem no fundo, até apoio.

Ou então isso da fraude é uma desculpa esfarrapada a ver se o zé povinho cai nessa sem barafustar.

Bom, vou comer uma bolacha e reflectir mais sobre isto.
Não julgues que sou uma vira-casacas que não sou, não sou. Mas agora esse argumento deixou-me assim a pensar.

Beijos e calminha, sim??
:)

Gambozina disse...

Eu até nem acho muito mal. Isto tem que ser visto não como um entrave aos pais de filhos pequenos (e não acho que seja por eles que tenha sido feita esta alteração), mas sim para evitar fraudes de deduções exageradas de despesas.

Imagina: ora eu ganho muito dinheiro e deduzo montes de euros para o IRS. A minha vizinha de quem sou muito amiga está desempregada e nem deduz nada. Eu pego nas suas facturinhas todas de saúde que não lhe fazem falta nenhuma (se não retem IRS na fonte, também não pode deduzir estas despesas) e deduzo no meu IRS recebendo uma pipa de massa lá para meio do ano. Quem teve a despesa? A minha vizinha. E o beneficio? Eu, sem gastar nadinha!

O problema é que ou é para todos (incluindo os mais pequeninos) ou não é para ninguém! De outra forma o sistema não resulta (e mesmo assim vai haver imensas falhas!!!). Sabes o que eu digo sempre? Se todos pagassemos os nossos impostos como deve ser (e os outros não os gastassem sem necessidade, mas isso é outra história), todos nós pagariamos bem menos! Se não tiveres o número de contribuinte da Leonor podes sempre pedir a factura em teu nome (afinal foste tu que pagaste!).

Bom fim de semana!

**SOFIA** disse...

se há entidade que me dá pesadelos é o Fisco, sou uma cumpridora fervorosa, gosto imenso do site das Declarações Electrónicas, mas tenho sempre um medo terrível de estar em incumprimento involuntário.
eu tb estou totalmente de acordo que se apanhem os manhosos dos esquemas e que se lhes torça um membro, mas acho que esta história de recém-nascidos com NIF é demais...

parecemos todos umas ovelhas!

Madame Pirulitos disse...

:):)

Marina disse...

Isto é um bocado estranho... Normalmente quando faço o IRS, naquela parcela das despesas com a saúde (p ex) põe-se tudo junto, não se especifica se a despesa foi feita com o dependente A, B ou C. E também no caso das despesas com a educação pedem o valor total e não de cada elemento em separado. Eu ainda estou à espera de ver os impressos antes de ir a correr com os cachopos fazer o cartão de cidadão. E, de qualquer maneira não estou muito preocupada se não puder declarar as despesas com saúde ou educação deles, o empréstimo que tenho da casa é quanto basta para receber de volta as retenções.