8 de janeiro de 2013

obsolescência - essa coisa do demo!

Obsolescência Programada "Faz parte de uma estratégia de mercado que visa garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar ou tornem-se obsoletos em um curto espaço de tempo, tendo que ser obrigatoriamente substituídos de tempos em tempos por mais modernos." in wikipedia

Olhando ao universo infantil, divido-o em dois mundos: o vestuário e os brinquedos. Ambos são essenciais à vida e desenvolvimento da criança, ambos têm uma vida curta porque perante um dos mundos a criança cresce e no outro o seu desenvolvimento cognitivo evolui. O resultado disto é uma quantidade enorme de objectos obsoletos que temos em nossas casas e a verdade é que pouco podemos fazer para fugir a isso; fugir à compra para substituir. Podemos é certo comprar roupas baratas, quase descartáveis, roupas enormes, roupas versáteis (vestidos que "viram" blusas) ou roupas extraordinárias (normalmente caras!) que servem as nossas crianças e os seus irmãos e outros primos e quiçá amigos! (cá em casa optamos por todos estes estratagemas anteriormente citados, sendo que invisto em "roupas extraordinárias" apenas em época de saldos)
Quanto aos brinquedos é um mundo que me fascina, há uma infinidade monstruosa de brinquedos e publicidade associada. Em criança havia muitos brinquedos lá por casa, éramos 3 crianças de idades muito próximas, sendo assim, era inevitável que eles abundassem, no entanto, os presentes só vinham nos aniversários e Natal, só. Cá em casa seguimos a mesma máxima, só abrimos exceções aos livros porque estes são essenciais, ocupam pouco espaço e têm múltiplas interpretações à medida que a criança cresce. Brinquedos de plástico que apitam, tenham vozes ou luzes e que irritem eu não compro, mas eles existem cá em casa e não tecerei mais comentários sobre eles. Os brinquedos que nós gostamos de comprar são aqueles que todos nós já tivemos, Legos e Playmobil, puzzles de cartão, animais fieis aos reais, alguns peluches (quase sempre IKEA) e brinquedos de madeira. Os meus filhos, até ao momento, já têm uns poucos brinquedos deste tipo, desde rocas, cubos, blocos, comboios e claro o cavalinho de pau.

no natal em que ela recebeu o cavalinho, com quase um ano e meio;
o comboio de madeira (2010)

o cavalinho em "sofrimento" :)))  (Fevereiro 2012)

Eu até posso estar enganada mas quase posso apostar que este cavalinho, de todos os brinquedos que há cá em casa, será um dos poucos a sobreviver até à idade adulta dos meus filhos, a não ser que o estraguem irremediavelmente ou que o ofereçamos a outra criança da família. É um objeto que não se tornará obsoleto, pois tem sempre lugar cativo em muitas brincadeiras que se passam cá. Se no início, em 2010, era para baloiçar de manhã à noite, hoje em dia o cavalinho transforma-se em casa/tenda da bicharada que para aí anda. Já o vimos também muito bem tapadinho a dormir a sesta e a tomar um café, enfim, a imaginação da minha mais velha está ao rubro aos 3 anos e meio...

É por estas e outras experiências que eu acredito piamente neste nosso projeto, Carrossel, eu acredito que os brinquedos devem perdurar, que não os devemos comprar por comprar, que devemos imaginá-los em plena acção mas também serenos a integrar a decoração da nossa casa. O cavalinho fica tão bem no quarto das crianças como no meio da sala ou na varanda ou no corredor, faz parte da mobília por assim dizer :) Eu nunca tive um cavalinho de pau, nunca calhou, tive outras coisas, bastante comerciais até, mas hoje, devo dizer, que o projeto Carrossel nos permite fazer um exercício diário sobre aquilo que verdadeiramente queremos para os nossos filhos e de certa forma, também para nós, porque ainda outro dia fomos crianças e hoje ainda brincamos e queremos brincar bem.

4 comentários:

chadebergamota disse...

Assino por baixo!

Tens aí uma bela fotografia para este projeto:
http://kidswerehere.marianamegre.com/
Aliás, com a Leonor nesta fase, deves ter uma infinidade delas.

Beijinhos!!

Anónimo disse...

Olá Sofia!
Identifico-me muito com algumas partes deste texto, tenho uma visão semelhante sobre os brinquedos. Detesto tralha, luzinhas, plásticos e penso que o interesse dos nossos filhos por estes objectos também é muito limitado. Qualquer conjunto de tupperwares da minha cozinha com algumas colheres de pau consegue fazer o mesmo efeito (ludico, entretimento, aprendizagem) e ainda por cima serve para outros fins, não tendo de ir de imediato para a reciclagem.
Já em relação às roupas gosto de me esticar um pouco mais, mas isto é assunto para outra conversa :)
Bjs e bom blog
Daniela (RA)

ML-As Maravilhas da Maternidade disse...

Concordo absolutamente com tudo, claro!

E diria mais, não só estes objectos com obsolescência programada se tornam obsoletos por substituição, como por auto-destruição ou deterioração. Simplesmente não duram muito tempo, quanto mais anos! Ou resistem muito mal. E cada vez mais é assim!

Vivam os brinquedos tradicionais!

Marta disse...

Actualmente, parece que tudo é assim, feito apenas a pensar no curto prazo. São as coisas, são as relações, são as atitudes, enfim.
Cá em casa a tralha acumula-se. Brinquedos duradouros há poucos. Também penso nisso, que brinquedos recordarão as minhas filhas quando forem adultas se o que adoram este mês já não se lembram dele daqui a dois meses?