8 de agosto de 2014

eu, a inocente

Detesto fazer figura de parva, e há dias caí numa conversa que me irritou profundamente, não pelo tema em si, mas porque eu já devia ter juízo e não dar conversa a estranhos. Apenas partilho isto porque ainda estou irritada e porque existe a possibilidade de alguém passar pela mesma situação que eu e assim, ficam avisados.

Ligaram-me de Lisboa, uma Dr.a Fulana de Tal a dizer que era do Instituto Nacional de Bem-Estar ou algo parecido. Estavam a fazer um estudo nos 18 distritos de Portugal para averiguar se uma notícia da TVI ou Correio da Manhã (devia ter desligado aqui) teria um fundo de verdade. A notícia era sobre a existência de fármacos na rede pública de água. Mandariam um técnico a minha casa, a custo zero, faria alguns testes à água, meia dúzia de perguntas e em troca, como agradecimento, deixariam ficar um redutor de água. Autorizei a vinda do técnico, porque afinal, era um tema que me pareceu credível e acho importante ajudar quem anda a fazer estudos.

Veio o Técnico, em plena hora de ponta cá em casa e com uma visita para jantar. Pediu copos para amostras de água (da torneira, da torneira fervida, do garrafão) e lá começou a fazer os testes... Entre dar banho às crianças e pôr o peixe a grelhar, ia respondendo às perguntas e vendo resultados assustadores sobre a qualidade da água da minha torneira. Ele era metais pesados, ele era matérias orgânicas e coitadinhas das crianças, e que na freguesia vizinha era o terror,... enfim, eu já estava a ficar um pouco assustada com tanta informação, mas depois perguntei-lhe pelos critérios que se referiam à pesquisa dos tais fármacos. O Técnico não sabia do que eu estava a falar, tentou disfarçar e lá disse que seria possível evitar aquelas matérias terríveis com o uso de alguma tecnologia disponível, comecei a ficar irritada. Neste momento, o meu marido e o Técnico sentaram-se à mesa a analisar tabelas e eu entre os miúdos, a minha amiga e preparar uma salada, percebi que a Dra. Fulana de Tal estava ao telefone com o Técnico a sugerir (impingir) a compra de um filtro porque coitadinhas das crianças, éramos um agregado prioritário perante tamanha podridão que saída da torneira da cozinha!!!
Virei-me secamente para o Técnico e disse-lhe que "Nós não vamos comprar nada." e continuei a pôr a mesa, pratos, talheres... A conversa ao telefone terminou e após o meu marido também ter informado que não iríamos adquirir nada, eu perguntei ao Sr. Técnico se já tinha feito todas as análises que queria, ao que me disse "Sim, já!" "então pode arrumar a sua mala e adeus que vamos jantar."

O homem arrumou as trouxas com a velocidade que pôde, adeusinho e passe bem e nunca mais me apareçam à frente a falar de estudos, nem dados estatísticos. Acho isto uma tristeza, como fui eu cair nesta conversa?? Há uns anos entrei na mesma cilada, a das viagens, mas também nunca comprei nada, saí no momento em que me falavam de compras e outras ofertas. É que nem lhes digo mais qualquer palavra, viro costas e desapareço.

Fui investigar o tal Insituto, não existe.
Soubemos também que a DECO está cheia destas reclamações - ler esta notícia.
Enfim, fui uma tontinha, achei que sinceramente estavam a fazer algo com pés e cabeça e agora nunca mais me peçam ajuda para nada, cambada de mercenários.

É nunca dar conversa a estranhos, mesmo!

6 comentários:

cibele barreto disse...

eu tb ficaria muuuuito irritada. credo!!!
agora relaxa, acontece uma vez...não duas :)

Natasha disse...

Caramba!... :(

Raquel disse...

Tenho de ficar atenta! Há gente com uma imaginação para esquemas impressionantes!!! Irra! Obrigada por ter partilhado.
Beijinhos

disse...

Também já me ligaram, mas nem sequer deixei a senhora acabar o discurso...

Cucos Baby disse...

Hola, queria consultarte una cosa...tienes unas fotos chulisimas de tu bebe en la alcofa durante 12 meses de julio de 2013 y me encantaria utilizarlas para un post en mi blog, queria pedirte permiso. Escribeme a hola@cucosbaby.com! Obrigada!!!!
Eva

Daniela disse...

ahahahaha!!!!
a mim apareceu um medico cubano em caso, num estudo para o instituto nacional contra a dor, olha, fica a saber que a minha esperança de vida é muito baixa, e que estou na iminência de ter um avc!!!
e não, não comprei um tal de aparelho de sei la o quê que todos os desportistas de alta competição usam :)