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1 de outubro de 2018

Pockets para o lanche


Ainda no seguimento do início das aulas, este ano tenho de fazer lanches para os dois levarem para a escola. Embora já me tivessem falado nas saquetas para embrulhar os lanches como uma boa alternativa para acondicionar os pães, a verdade e que “comprar mais tralha” nunca está nos meus planos. Pensei sempre que, enquanto tiver celofane ou folha de alumínio não compro mais nada. No entanto, com esta nova rotina, o consumo destes materiais obviamente duplicou e rapidamente concluí que deveria pelo menos experimentar os pockets. Lá comprei e a verdade é que para o lanche deles funciona mesmo bem. Os pockets que eu comprei são feitos em material impermeável o que também ajuda a conservar o pão, a dobragem também é  básica e por isso os miúdos facilmente se adaptaram sem deixar cair a outra metade do pão ao chão - o lanche deles é sempre um pão cortado ao meio para a manhã e à tarde (entre outros acompanhamentos como fruta). Claro que este formato não se adapta a um cacete mas para uma carcaça ou pada é ideal.
Embora eu tenha sempre aquela resistência em comprar “mais uma coisa” e que está acabe esquecida numa gaveta, a verdade é que neste caso a aposta nestes materiais parece mesmo resultar! Fica a dica!

24 de setembro de 2018

Ainda hoje é só segunda-feira!


Começou hoje a segunda semana de aulas e as coisas têm corrido dentro do esperado.
Ela segue os dias sempre animada como se não tivesse havido férias, não há nostalgias, não há desculpas, recomeçou a escola como se o fim do ano fosse outro dia.
Ele, por outro lado, já teve uma abordagem um pouco diferente mas também não posso dizer que não estava à espera de outra coisa: resistência a ficar na escola, choro e muita angústia perante esta nova realidade. Chega à escola e observa o pátio enorme, os miúdos todos soltos de idades misturadas. Não vê os colegas, conhece pouca gente e não fica à vontade, tive mesmo de o levar à porta da sala numa ocasião. Mas como tudo há tempo de espanto e tempo de hábito e vejo que lentamente a rotina começa a instalar-se.

A minha segunda semana começou menos bem, atabalhoada até. Agora a correria matinal obriga-me a despachar dois filhos, dois lanches, duas escolas e um breve instante de distração fez com que eu tivesse cortado os pães deles e depois os embrulhasse sem os ter recheado com a manteiga ou o amendoim do costume! Comeram pão seco ao lanche e quando os fui buscar reclamaram e com justiça que acharam o pão muito estranho :D

Ainda hoje é segunda-feira e eu já ando desta maneira, o que me reservará todo este ano!

9 de maio de 2018

Últimas vezes

A aproximação da escola primária está cada vez mais evidente. Os colegas fazem seis anos, um após outro, estão já todos tão crescidos e desembaraçados. Já nem parecem os mesmos bebés quando tinham acabado de fazer três anos (sim porque olhando agora, aos três anos ainda têm muito de bebés... :) )

Reunem-se os documentos para efetuar matrícula na escola dos grandes, pagam-se as últimas mensalidades do jardim de infância. Faltam 9 mensalidades, faltam 6 e agora faltam só duas e já nem o calendário de férias fomos obrigados a preencher... Julho será o  fim desta era, já não há bebés nesta casa, não haverá lanche dado pela escola, nem liberdade para brincar até cair para o lado. Teremos de pensar nos horários novos, na organização desta gestão diária de escola-atividades-lazer-deveres.

A minha cabeça parece um permanente jogo de xadrez, sempre a antecipar jogadas, sempre a antecipar os compromissos com semanas de antecedência. Ver quem está disponível, combinar boleias, trazer um, trazer outro, encaixar mais um e é uma comédia, porque mais vale rir.

A partir de setembro somos todos crescidos nesta casa e eu cada vez mais nostálgica.

21 de junho de 2017

Chegámos ao fim do ano letivo



Chegámos ao fim do ano letivo e eu sinto que acabámos agora mesmo de correr a maratona - exaustos.
A última semana ainda não acabou mas faz de conta que sim porque o que falta já são uns momentos de convívio, atividades lúdicas e pouco mais. Foi hoje a prova de aferição de matemática para os alunos do segundo ano e em simultâneo tivemos greve dos professores mas onde foi decretado o serviço mínimo. As provas fizeram-se e à tarde "gozemos" então da greve...
Comparar este ano com uma maratona para mim faz todo o sentido, aumentámos a fasquia da complicação introduzindo o conservatório na equação semanal e foi tudo muito intenso, mesmo! Na escola os programas curriculares à excepção de matemática são bastante razoáveis e não merecem grandes comentários, porém há uma discrepância enorme face à matemática. Não achei que o programa fosse complexo vendo matéria por matéria, porém, achei que foram demasiadas matérias, demasiados conceitos, uma correria para conseguir espremer tudo nas semanas de aulas. Ele foi tabuada, ele foi multiplicação de frações, perímetros, massas, volumes, sólidos, decomposição de números, problemas de dois e três passos, muita abstração e pouco tempo para consolidar, para conversar sobre a matéria. Abro o livro desta disciplina e dou de caras com um capítulo "Organização e Tratamento de Dados Estatísticos", oh valha-me deus há necessidade? Tabelas de frequência absoluta e relativa?! Juro que fiquei chocada. Mais uma vez repito, não é pela complexidade da matéria, que muitas vezes é exposta de forma simplista e até infantil demais, mas há necessidade de introduzir tantos conteúdos?
As crianças ainda não deram a divisão de números inteiros e já dividem segmentos de reta com frações, já multiplicam números utilizando frações. Fazem a contagem do dinheiro com números decimais e conversões de unidades métricas. ELES TÊM 7 OU 8 ANOS!!! HELLOOOOO?!?!
Cálculo combinatório!?!

Uma criança desta idade consegue evidentemente absorver toda esta informação, há alunos geniais na turma na minha filha que são autenticas barras em cálculo mental e assim haverá em centenas de escolas. Mas e os outros? Aqueles que não têm aquele empurrão em casa e não estou a falar de crianças com carências económicas, falo de todos aqueles cujos pais não podem ou não querem ou não conseguem ajudar por falta de conhecimento. Essas crianças são apanhadas neste terramoto de informação e nem sabem o que lhes acontece. A matemática carece de muita prática, muito treino, é como um jogo. O desafio de resolver um problema e o entusiasmo de o acertar fica totalmente para segundo plano porque NÃO HÁ TEMPO A PERDER. E isto é no mínimo de lamentar.

Eu vi a minha filha aprender conteúdos que eu dei no ciclo e no secundário! Pergunto: daqui a uns 3 anos vão aprender o quê? Cálculo integral? Álgebra Linear? De que lhes serve conhecer tantos conceitos se muitas vezes olham para eles e efetivamente não os percebem?

Isto ultrapassa-me e tenho mesmo de o partilhar.

Mas enfim, acabámos a maratona, deitámos os bofes para fora. Aprendemos a tocar violoncelo, passos de ballet, muitas coisas importantes na escola. Agora é tempo de relaxar, brincar, nadar, desligar um pouco a mente.
Por aqui continuaremos no nosso vagar.

Até já e parabéns a todos os alunos que concluíram mais um ano escolar, vocês são os maiores!

nota: caso tenham interesse fica o link para as provas de aferição http://provas.iave.pt/np4/home/

28 de fevereiro de 2017

Orgulho!!



Estas férias do carnaval tivemos o espetáculo da escola de ballet. Na verdade nem podemos falar muito em férias porque foram quatro espetáculos e para que tudo acontecesse houve muito tempo dedicado e como sempre algum sacrifício pessoal. Digo sinceramente que admiro a capacidade de realização das crianças, trabalham tanto, têm a escola, têm várias atividades, queimam fins-de-semana com ensaios e horas de estudo para breves momentos de prova e superação.
Nós pais estamos sempre ali, por mais que as crianças queiram participar nisto ou naquilo, há sempre momentos em que precisam do nosso empurrão, de uma motivação extra, de um raspanete incisivo e no fim é o espanto, é a realização familiar de que todo o esforço compensa.
No momento em que elas dançam esquecemos a enorme despesa, o leva e traz, as birras, os tempos mortos e o cancelamento de momentos combinados por causa de ensaios.
Quando eles tocam um instrumento com entusiasmo esquecemos todos os outros momentos em que as notas não saíram, em que tivemos de carregar com o violoncelo, em que comprámos livros, suportes, que ralhámos, que ameaçámos e no fim ficamos meios palermas quando vemos que tocam tão bem, que sentem a música e que afinal nada é em vão.

Um dos maiores privilégios de ter filhos é realmente vê-los a conseguir concretizar estes objetivos, é felicitá-los e aplaudir muito. É mesmo maravilhoso e na verdade nem sei muito bem traduzir por palavras o orgulho imenso que sinto. Faz lembrar as dores de parto, dói p'ra caraças mas depois esquecemos tudo!



6 de janeiro de 2017

Momentos de concentração total

Há umas semanas presenciei um facto curioso.
Estava uma menina no balneário do ballet a fazer os trabalhos de casa e uma série de outras crianças a fazer uma barulheira dos diabos ali mesmo ao lado. Confesso que tive uma certa pena da miúda estar ali "naquelas condições" a fazer os deveres, mas o facto é que ela parecia esta bastante focada na sua tarefa ignorando totalmente as colegas...
Fiquei a pensar naquilo e sobre a exigência que fazemos aos nossos filhos quando os matriculamos em várias atividades em simultâneo com a escola normal e que lhes sobra pouco tempo para sequer fazer os TPCs com sossego quanto mais brincar ou descontrair.
Curiosamente passados poucos dias este cenário repetiu-se connosco!! Eu nem quis acreditar no que os meus olhos viam quando num pequeno intervalo entre aulas no conservatório a minha filha fez os trabalhos de casa de matemática num abrir e fechar de olhos!! Os pontos de exclamação são poucos para exprimirem o meu pasmar, verdade!
Em casa, ou no nosso escritório passam-se verdadeiros dramas de faca e alguidar para que ela conclua um exercício quanto mais uma ficha inteira. Pois naquele dia, sentada na escada e rodeada de imensa gente que falava e passava a minha filha fez os deveres com uma descontração que me chocou. Fiquei então a saber que a minha filha também era uma "daquelas pobres crianças" que não têm sequer tempo de qualidade de estudo, coitadinha.
Pergunto-me então, se vale a pena ter a casa em silêncio e eliminar factores de distração quando na verdade o foco no dever pode concretizar-me até em ambientes caóticos?

Vivendo e aprendendo, essa é que é essa!


nota: a minha filha não teve notas brilhantes e continua a trazer recados de total abstração em sala de aula, mas de um modo geral é boa aluna tanto na escola, como no conservatório e no ballet. Fico verdadeiramente impressionada com esta capacidade de concretização que não é só dela, mas de todas as crianças que me são próximas e que levam este ritmo alucinante de vida durante a semana!

** este vosso blog no Facebook **

17 de outubro de 2016

Sair ou fazer os TPCs?


Acho que todos os dias vejo uma notícia ou um artigo sobre a questão dos trabalhos de casa, se são muitos, se são inexistentes, se há ou não proveito efetivo em fazê-los... Daquilo que é a nossa experiência, achamos que são um bom indicador daquilo que as crianças andam a aprender nas aulas, mas quando são demasiados ou quando são "parvos*", aí o resultado é muito mau. Imagino que muita gente já terá passado pela experiência de gritar com os filhos ou de os apressar para conseguirem fazer tudo para que possam brincar ou para fazer outras tarefas tipo tomar banho ou jantar!


Volto a frisar que a nossa experiência de TPC é boa, nem muitos nem poucos e com folgas durante a semana. Agora no segundo ano, a nossa filha começa (finalmente) a ver a grande vantagem de fazer as coisas depressa, pode brincar ou fazer o que lhe der na real gana, para além de desfrutar das suas atividades extra-curriculares com a mente descansada. Os trabalhos dos fins-de-semana são feitos quase sempre à sexta-feira e depois o sábado e domingo são dedicados ao ócio.


Ainda recordando o fim-de-semana em que fomos a Sintra, informei a professora da possibilidade dos TPCs não ficarem todos feitos. Avisei que íamos viajar em família, visitar museus e que a minha filha faria o que conseguisse e que depois recuperava durante a semana seguinte. E assim foi, calhou de nesse fim-de-semana ela ter de fazer um pouco mais do que o habitual e deixou uma parte por acabar. A professora não se incomodou, pelo contrário.


Durante as nossas visitas tivemos imensos momentos em que as crianças andaram a estudar, conversaram muito entre si, as mais velhas sempre juntas e os mais pequenos também sempre um com o outro. Cada um com o seu mapa que fizeram sempre questão de ter, um para cada um, nem fomos nós que impingimos. De vez em quando lá tiravam uma ou outra dúvida mas faziam as leituras à sua maneira e dava gosto ver. As mais velhas adoraram o Palácio da Pena, ficaram com uma ideia real de como era a vida no tempo da monarquia, tudo era espetacular, as loiças, o papel de parede, as talhas, as legendas eram lidas com interesse e para nós foi mesmo gratificante ver que não estavam a apanhar seca, que é algo que por vezes se pode pensar de um museu deste género. Porque não é interativo, porque não é moderno, porque retrata um tempo tão desfasado, mas na verdade as crianças gostam de imaginar outras eras, e para compreender o presente têm necessariamente de ir ao passado (pelo menos eu acho que sim).


Tudo isto para dizer o quê? Digo então que na nossa opinião e experiência, vale a pena sacrificar o dever escolar para desfrutar de tempo em família de qualidade e acho também que se devem conversar estas questões com os professores. Não fazer os deveres não significa necessariamente desleixo ou desinteresse, muito pelo contrário, acho que é uma boa oportunidade para explicar tanto ao professor como ao aluno a vantagem que é fazer opções e que as mesmas se traduzam em outras aprendizagens. Porque não?








** por trabalhos "parvos" entendo aqueles deveres que a criança não aprende nada, que são atribuídos nem sei bem porquê, serão só para manter a criança mais um pouco presa a uma cadeira? Temos pouco disso por cá, mas reconheço que há exercícios bem mais importantes e formativos do que outros...

12 de outubro de 2016

Violoncelo 1/2 procura-se



Caras pessoas que me lêem, se tiverem por casa um violoncelo 1/2 que esteja encostado ou que esteja para deixar de servir, falem comigo. Procuramos um violoncelo em segunda mão para iniciação.
Se esse violoncelo estiver por aí entre Viana do Castelo, Porto, Braga, Aveiro, Viseu ou Coimbra, digam-me alguma coisa, sim!

Aquisição imediata.

Obrigada ;)

15 de setembro de 2016

O início do ano escolar com Moderação


Esta semana começou a escola, com muito entusiasmo e ansiedade à mistura lá fomos nós com ela à apresentação, conversar um pouco com a professora e com os outros pais sobre os objetivos deste ano. No meio de várias considerações fixei que este ano temos como norte o conceito de Moderação e isto começa logo com a lista de material escolar. A lista do ano passado não era nada por aí além, muito pelo contrário. Ao contrário do que estava à espera, achei a lista simples e que apelava ao baixo consumo, com materiais de linha branca como os cadernos de capa de cartolina preta. Este ano, tirando a substituição dos cadernos usados, apenas tivemos de comprar uma ou duas coisitas, foi expressamente pedido que se recuperasse o máximo possível do que sobrou do ano passado. No nosso caso, já o tínhamos feito, há umas semanas estive a ver com ela os marcadores que estavam bons, bem como os lápis de cera, retirámos as folhas do dossier e colocámos num arquivo de cartão e assim num virote poupámos uma série de euros. A mochila também está impecável, já a avisei que só terá esta durante a escola primária portanto é bom que a estime. Se há coisa que me ultrapassa é esta tendência de muita gente comprar mochilas todos os anos, não percebo... Serão as mochilas tratadas como se fossem bolas? Serão as mochilas tão frágeis que chegam ao fim do ano inutilizáveis? Terão as pessoas casas que parecem armazéns para acumular mochilas todos os anos e de vários filhos? A nossa mochila não foi subsituída, não está estragada, nem tão pouco desatualizada, está perfeita para continuar a servir a sua função e fora da escola também transporta as nossas coisas caso seja necessário.

Para terem sucesso escolar as crianças não precisam de muito material, precisam apenas do essencial e este deve ser estimado.

A Moderação não diz apenas respeito ao consumo desenfreado de material escolar, mas também à quantidade de TPC que vão continuar a chegar em doses pequenas. Neste aspecto acho que temos muita sorte, ao que eu tenho ouvido e lido por aí... No meio-termo é que reside a virtude e é assim que as coisas têm sido na escola, no entanto, a moderação também exige concentração, boa educação e respeito de modo a que tudo o que é passado na aula fique retido nas cabeças daquelas crianças. Temos muito trabalho pela frente, espero que consigamos coordenar tudo com muita paciência e sucesso!

3 de setembro de 2016

A voz da professora



Só depois de ter uma filha como a minha é que a voz da professora do Charlie Brown passou a ter outro significado. Antes sinceramente nem me dizia nada, mas agora, imagino a minha filha na escola e junto os relatos da professora e só posso enquadrá-la neste fom-fom-fom.

Oh pá a sério, já disse que estou a ficar com um crises de ansiedade só de pensar neste ano letivo?

2 de setembro de 2016

Regressar às rotinas


Lentamente estamos a retomar as nossas rotinas.
A escola do mais novo já começou, mudou de sala e no meio de tanta excitação "o fim das férias" passou um pouco para segundo plano. Foi agosto todo em casa, um verão cheio de animação e programas familiares bons, muita praia, muito passeio e assim quase que de repente Puff, acabou-se. Não chorou no primeiro dia, mas é provável que comece o mimo a qualquer momento.
Ela ainda ficará mais uns dias connosco, de manhã no escritório fazendo a revisão das fichas que ficaram por fazer e à tarde com a avó. O ballet começa já, passados uns dias começa a escola e só depois virá o conservatório.

Tenho para mim que este ano o bicho vai pegar!!!

Estamos ainda um pouco na expectativa porque não temos os horários todos mas já andamos a ganhar fôlego para aquilo que parece ser um ano de muita atividade, muita correria, datas para fixar, muita coisa nova para aprender (todos cá em casa incluídos!). Antevendo a espécie de temporal escolar que aí vem, acho que posso avançar que "não vejo a hora de chegar a julho"!! :D Embora haja muita excitação das crianças perante o ballet, a música, a piscina, da nossa parte a esse entusiasmo também se junta a preocupação de sobrecarregar os miúdos; julgo que será uma preocupação transversal à maioria dos pais. Queremos que os nossos filhos tenham uma infância divertida, saudável e culta, achamos que tão importante como aprender matemática é aprender música ou praticar um desporto correctamente. Se por um lado achamos incrível como há crianças com agendas mais lotadas do que as dos pais e nos perguntamos "quando brincam estas crianças?" por outro lado achamos que uma vida após a escola demasiado livre também poderá tornar os alunos (de um modo geral) mais relaxados relativamente ao estudo e até à escola. Falo por mim, sempre, e dou um exemplo.
Quando eu andava a estudar havia uma rapariga na minha turma que andava na música e não morava propriamente ao virar da esquina, tinha de apanhar o autocarro e andava sempre de um lado para o outro. Deu-me sempre a ideia de que era bastante ocupada e era a mais inteligente da turma, tinha sempre boas notas, era muito atenciosa para com o resto dos colegas e dava explicações do que fosse preciso a quem precisasse. Era fantástica e foi para o curso que quis e acabou-o dentro do tempo mínimo exigido. Tudo isto sempre com os compromissos que tinha fora da escola, resultado, o tempo dela estaria sempre muito preenchido, ela feliz tenho a certeza, prestava atenção às aulas, estudava o necessário de forma eficiente e no fim fazia tudo bem feito. Eu, saía da escola, não tinha outra obrigação senão estudar, não tinha atividades extra-curriculares nem compromissos periódicos que me obrigassem a manter uma rotina horária apertada. Sempre fui uma aluna média, podia ter sido excelente, mas ficava um bocado a ver a banda a passar... O meu marido é da mesma opinião que eu, se calhar se tivesse tido horários mais apertados teria sido mais organizado, mais eficiente e igualmente feliz e realizado.
Há tempos, em conversa com uma amiga, dizia-me ela que as raparigas na academia andavam sempre muito ocupadas com as atividades delas e que as suas brincadeiras ou tempos livres acabavam por ser vividas em balneários ou viagens de eventos e que na verdade elas eram muito felizes e companheiras. Ela tinha a certeza que via aquelas miúdas (adolescentes) realizadas, preenchidas, brilhantes em várias áreas mas sobretudo muito felizes.

É isto que queremos para os nossos filhos, que tenham vidas preenchidas, que lhes forneçam boas bases para conseguirem gerir o tempo livre (super importante!), que lhes forneçam boas bases para tirarem o melhor proveito da escola oficial (super importante também!). Claro que estamos preparados para os momentos em que ele não vai querer ir para a piscina, ou que ela não vai querer vestir o fato do ballet, faz parte. A nós também nos apetecia fazer gazeta às nossas obrigações, sei lá, olha não me apetece fazer-te o jantar filho...

O que tem de ser, tem muita força e vamos lá ver onde vamos buscar a energia e tenacidade para lidar com esta nova rotina. No fim, queremos vê-los superar os níveis que iniciaram, ver saltos de alegria por ouvirem palmas e sentir que afinal valeu a pena.

Um bom ano lectivo para todos, alunos e pais!


29 de junho de 2016

Novas considerações sobre a diferença de idades deles


Em dezembro de 2011 escrevi sobre o que poderia acontecer relativamente à diferença de idades que eles íam ter após o nascimento do irmão, quase 3 anos (2 anos e 10 meses); andava eu grávida, bons tempos! Quando planeámos um segundo filho achámos que 3 anos de diferença seria um bom compromisso, dava para aproveitar bem o primeiro filho enquanto bebé e quando este fosse já minimamente independente teríamos outro para não perder totalmente o ritmo. Confesso que até ao ano passado a nossa teoria ficou bem fundamentada, enquanto andam no jardim de infância os filhos têm basicamente as mesmas necessidades e rotinas, porém a entrada dela na escola primária veio revolucionar os nossos dias...

Creio que nunca me senti tão culpada ou negligente em relação ao meu filho mais novo do que este ano. Embora esteja a usar termos um pouco fortes, a verdade é que é assim que eu me sentia quando os tinha aos dois em casa e tentava que ela fizesse os trabalhos de casa concentrada. Foi horrível.

Pela primeira vez eles estiveram em escolas diferentes e por isso só se viam de manhã e ao fim do dia e nessas alturas eles queriam brincar juntos, gritar juntos, correr juntos, basicamente esta casa parecia um manicómio sobretudo às horas das refeições com eles muito malucos sempre a rir e a dizer piadas, desafiando-se mutuamente. Ora, nos momentos em que eu tentava que ela ficasse sentada a fazer os deveres, ele queria estar junto dela, não necessariamente a fazer uma tarefa semelhante, mas acabava sempre por distraí-la e o resultado era sempre eu ligar a televisão e pô-lo a ver bonecos de enfiada porque só assim eles ficavam em silêncio. Infelizmente não fui bem sucedida na minha missão de conseguir que ela ficasse sozinha a fazer os deveres, mesmo comigo em cima dela, ela distraía-se sempre e mesmo que eu quisesse era de todo impossível estar a ver TV com o miúdo. Isto de zelar pela educação das crianças é um verdadeiro bico d'obra é preciso equilibrar muita coisa e se houve vários dias em que o deixei frente à TV (por ser mesmo o mais eficaz), também optei por vir para casa sozinha com ela e deixá-lo na escola mais um ou duas horas. Venha o diabo e escolha :(

Perante este cenário, hoje arrependo-me de não ter tido os meus filhos com uma diferença de idades MÍNIMA porque efetivamente dá muito trabalho ter dois filhos de fraldas, ok, mas essa fase é muito curta e descontraída comparada com a fase escolar e é aí que elas mordem, ah pois é...

24 de junho de 2016

e os manuais escolares?

Pegando na ideia dos manuais escolares que finalmente vieram para casa, achei que seria uma boa oportunidade para dissertar sobre eles...
Os manuais escolares foram comprados, dei-lhes uma vista de olhos e desde que foram para a escola no início das aulas, nunca mais regressaram a casa. Em bom rigor, comprei uma mochila à minha filha que transportou todos os dias nada mais nada menos do que o lanche e uma pasta de cartolina com meia dúzia de folhas e a caderneta. Tanto ouvi dizer que as crianças carregam toneladas às costas e felizmente nada disso se verificou na nossa escola, assim como em todo o agrupamento pelo que oiço dizer - o que é excelente!

Embora os livros de Língua Portuguesa e Matemática viessem (raramente) para casa para TPC de fim-de-semana, só agora, com o fim das aulas é que me tenho debruçado mais em "estudá-los". A nossa professora usou vários manuais com os garotos e creio que terá sido também por esse motivo que os nossos manuais ficaram com muitos exercícios por fazer e que vamos aproveitar as férias para os completar. Relembrando todos os trabalhos de casa que fizemos, tanto dos manuais adoptados como de outros anteriores creio que de um modo geral há demasiadas falhas. Falhas nos enunciados, falhas na lógica dos exercícios, muitas ambiguidades e até exercícios que estão descontextualizados relativamente aos conhecimentos dos alunos.

Creio que no início do ano, em que (em teoria) nenhuma criança sabe ler e escrever, apareceram muitos enunciados com "escreve isto ou aquilo" quando na realidade a criança não sabe nada de nada. Como pode a criança escrever "três" quando não sabe o que é o "t" ou o "^", quando não sabe ligar as letras. Fará sentido ter enunciados escritos logo no início do programa? Fará sentido aparecer um quadrado desenhado num enunciado quando é pedido à criança o "valor de uma área"? (mas afinal o que é a área, mãe?)
Estes são pequenos exemplos de coisas que vi e que são transversais a todos os manuais actuais e um pouco mais "antigos" (5 anos...talvez), de várias editoras.

Da maneira que os exercícios são expostos, é quase impossível que uma criança, em fase de alfabetização, consiga (sozinha) resolver seja o que for. Não podiam os livros ser mais sintéticos, ou seja, focarem-se mais em icons em vez de redigirem enunciados que os garotos não têm ainda capacidade de ler e até interpretar? Sei lá, podiam estar mais interligados, ou seja, ao mesmo tempo que em Língua Portuguesa fossem dadas determinadas informações às crianças, os livros de Matemática e Estudo do Meio também evoluíam no vocabulário e deixavam caír os símbolos, podia ser um caminho... Eu não gosto muito de evocar outros tempos, sobretudo o tempo em que os nossos pais andaram na escola, no entanto, acho que para uma criança do 1º ano, faria todo o sentido haver apenas um manual escolar* onde em simultâneo fossem abordados todos os temas de acordo com o progresso da alfabetização. Fica a ideia e a reflexão...


* não me refiro a um "livro único nacional", mas sim, a possibilidade de uma editora qualquer ter apenas um manual em vez de 3 manuais + 3 livros de fichas


8 de junho de 2016

Fim do ano

Hoje ela trouxe a mochila pesada, trouxe pela primeira vez todos os manuais escolares, os cadernos e as notas do último período que a professora ditou informalmente (ainda iremos ao "juízo final"). Teve boas notas, diria que foram quase surpreendentes face ao calvário que foi este ano lectivo. Sentimos que corremos todos uma maratona (falo de cor, nunca me meti em tal prova), foi muito cansativo este ano, tivemos imensas dúvidas, muito drama à mistura, alguns pontos altos e outros baixos. Mas chegámos ao fim com o saldo positivo, ela sabe ler, cada vez mais depressa, escreve o que precisa escrever, conta o que tem de contar e veio toda feliz por saber que vêm aí as férias e que para o ano regressa à escola que inicialmente tantas dores de cabeça nos deu. Ela gosta da escola, sente-se livre, corre, fantasia à vontade dela sem que ninguém a chateie, a professora foi uma santa, sempre dando relatórios terríveis mas sempre insistindo para que ela se mantivesse focada (o mais possível :D).

Agora falta só o arraial e depois até setembro!

(até lá vamos praticando e preenchendo os exercícios que ficaram por fazer nos manuais...)

3 de junho de 2016

Motivação para o futuro!



A uma semana do fim da escola, vi este video partilhado por uma amiga.
Achei que seria apropriado, assim em jeito de balanço nesta reta final de ano lectivo que teve alguns altos e baixos para os quais não estávamos assim muito preparados para eles mas que no fim, até nos parece que correu bem... Ela já sabe ler, já sabe fazer operações matemáticas, não é um ás mas também não é isso que esperamos dela. Foi feliz este ano? Foi sim senhora! É isso que mais nos importa.

Entretanto ainda voltarei "atrás" para dissertar sobre um ou outro tópico ;)

21 de abril de 2016

A mãe foi à escola


Há algum tempo a professora da nossa mais velha sugeriu que fôssemos uma tarde destas dar uma "aula" aos miúdos. Prontamente aceitei o desafio e fui pensar no que lhes dizer e fazer durante duas horas após o almoço. Finalmente arranjei disponibilidade para falar com as crianças sobre História da Arte e no fim fazer um pequeno ensaio com uma Natureza Morta.

Após a surpresa inicial perguntei-lhes o que era Arte para eles e isso despertou-lhes logo o interesse. Falámos desde a arte rupestre até ao abstraccionismo, falámos em escultura, fotografia, cinema, dança e passei-lhes a ideia de que a Arte é o resultado daquilo que os afecta e como expressam esse sentimento. Ficaram entusiasmados.

Entretanto mostrei-lhes o quadro Guernica e perguntei-lhes o que viam, do que se tratava. Sendo crianças de 6/7 anos estava à espera de interrogações, mas eles foram certeiros na interpretação, viram guerra, viram atropelos, viram gritos, viram o sofrimento em pessoas e animais, discutiram o facto do quadro estar "sem cor", foi muito entusiasmante porque tanto quanto me apercebi, nenhum deles conhecia o quadro ou alguma vez teria conversado sobre ele. Por momentos pensei que poderia ter exagerado na minha escolha, mas eles foram muito receptivos e tiveram um comportamento muito maduro, actualizado e ciente de que a guerra é algo que existe desde sempre e que (infelizmente) perdura até hoje...



Passado este momento mostrei-lhes três naturezas mortas de épocas completamente distintas para lhes fazer ver que sobre o mesmo assunto/tema eles eram livres de se expressar como quisessem e assim estavam a libertar o seu "espírito criativo", eram artistas! :)
Montei então um pequeno cenário com coisas que trouxe de casa e outras da sala de aula, a professora arranjou folhas A3 para todos e começaram a desenhar. Pedi-lhes apenas que usassem a folha TODA mas muitos tiveram dificuldade nesse aspecto, até nós, quanto mais eles, esta parte foi muito divertida :D
Depois começaram a dizer que não conseguiam desenhar isto e aquilo e que não estava bem entre outras coisas, mas consegui dar-lhes a volta e no fim todos estavam extasiados com as suas naturezas mortas, todas com interpretações diferentes, tal como eles achavam que deviam ser. Assinaram os desenhos com imenso prazer, sentiram-se artistas, pintaram com as cores reais, outras inventadas, desenharam molduras e até personagens que eles acharam que fazia sentido acrescentar.

Já há muito tempo que não tinha tanto prazer em fazer algo novo, sem dúvida que trabalhar com crianças é uma experiência ímpar e que nos enriquece todos os dias.


17 de abril de 2016

Sem dúvida O MELHOR jardim de infância!!



Adoro uma boa escola, com ideias inovadoras e arrojadas que tirem partido de todas as capacidades das crianças. Deixo-vos um espetacular caso de sucesso onde um projecto de arquitectura de forma circular permite que as crianças usufruam de todo o edifício, mas todo mesmo, incluindo o tecto. Sendo circular as crianças podem fazer aquilo que mais adoram - CORRER! - e aqui podem fazê-lo infinitamente ou até que os pais os vão buscar :D

Deixo-vos também algumas fotografias do ambiente e pelas caras das crianças, isto só pode ser do melhor. Quem me dera que os meus filhos tivessem a oportunidade de experienciar este edifício!


O bebedouro como ponto de encontro e troca de informações super importantes!


Correr em círculos - loucura!!
A cobertura tem várias clarabóias que permitem que as crianças do topo espreitem para o interior e desafiem as que estão lá dentro. O objectivo é passar o maior tempo possível na rua.



600 caixas de uma madeira leve foram colocadas no interior do edifício de modo a que crianças e funcionários lhes atribuíssem a melhor função. Transformam-se em estantes, bancos, mesas, comboios, torres... O interior da escola não tem paredes e as crianças estão todas misturadas.



Barretes de proteção para sismos, ou como transformar um assunto assustador em algo completamente divertido!



Fuji Kindergarten, Japão
Takahuru Texuka, arquitecto
entrevista completa

18 de março de 2016

não-comemorações do dia do pai

Este ano e pela primeira vez desde que temos crianças na escola, não fomos convocados para nenhuma ação do Dia do Pai. Confesso que fiquei surpreendida e aliviada.
Os dias temáticos são sempre motivo de stress por parte dos pais, os mesmos que são homenageados tão entusiasticamente por educadoras e crianças. Temos que comparecer nas escolas, atrasar compromissos, fazer uma ginástica de horários para assistir a pequenos espetáculos ou participar numa atividade qualquer. Não desfazendo de todo o empenho na organização destas atividades, a verdade é que na maioria das vezes são dispensáveis. Felizmente no nosso caso sempre pudemos comparecer, no entanto, chateia-me saber que há sempre crianças que se sentem marginalizadas, que se sentem diminuídas por não terem lá o pai. Felizmente também a escola onde temos agora o nosso mais novo também está ciente de que há uma realidade que não deve ser ignorada que é a dos pais forçados a estarem ausentes, ou porque estão imigrados, ou porque têm empregos muito frágeis, ou porque têm impedimentos legais que não lhes permitem estar simplesmente com as crianças. Assim sendo, não se comemora nada porque o pai e a mãe são-no todos os dias e não há mais conversa.

Por mim está excelente e na minha opinião, era assim que deveria ser em todo o lado.

15 de março de 2016

Doces

Raras são as semanas em que não tenho de confiscar uma saquinha de gomas/rebuçados/chupas e afins aos meus filhos. Algumas vezes nem sequer tenho essa hipótese porque os doces já foram comidos porque "todos comeram" e eu fico IRADA!!!!

A sério, chamem-me psicopata, chamem-me mariquinhas, exagerada o que quiserem mas custa-me compreender como é que há tanta gente que acha normal dar a crianças de 3 anos sacos cheios dessas porcarias. Eu até nem sou dessas que lê os rótulos todos, não entro em desafios de açúcar zero, como carne vermelha, bebo leite, um refrigerante ocasional, mas quer dizer, sou flexível no campo alimentar mas tudo o que é demais é moléstia e há dias que me passo completamente.

Eu ainda posso tentar compreender que adultos que não tenham filhos não tenham "aquela" sensibilidade do que se deve ou não deve dar a uma criança, mas quando eu vejo que são pais de crianças igualmente pequenas que levam sacos cheios de doces para as escolas para distribuir pelos miúdos, aí sinceramente ultrapassa-me. Já não é a primeira vez que falo neste assunto aqui no blog e a minha indignação mantém-se inalterada. Eu até já podia estar habituada, como já me disseram noutra ocasião, do género "oh, não ligue, eles já comem tantas porcarias...". Não, realmente não me habituo, sou uma pessoa difícil.

A par dos episódios das festas escolares temos também o capítulo da "retribuição positiva através de guloseimas". Os meninos portam-se bem, tomem lá uma goma cada um! Os meninos fazem as fichas depressa, um rebuçado para cada um! Então mas quê, não é possível dar "apenas" um "parabéns foram excelentes!" ou "hoje distribuis o leite por seres tão responsável", um autocolante com brilhantes não dá o mérito que dá um chupa?

Ainda há dias me diziam que por vezes os lanches das crianças são vistoriados para se fazer uma triagem dos "maus lanches" que existem nas lancheiras. Por maus lanches entendem-se sumos processados, croissants e pães doces, batatas fritas, refrigerantes, aparece de tudo um pouco e no ensino público são feitas visitas por equipas do centro de saúde de modo a sensibilizar as crianças para o que devem comer e evitar. Isto é o que se passa no nosso agrupamento. Muito bem, faz-se um acompanhamento e educação para uma alimentação saudável, mas do que vale isto tudo se os próprios educadores (pais e professores) quebram logo ali a corrente pedagógica? se nas cantinas servem gelatinas horrorosas ou pudins instantâneos uma vez por semana?

A sério, expliquem-me isto como se eu fosse mesmo muito burra...

3 de março de 2016

os (sacanas) dos TPCs

Ainda me lembro, como se fosse hoje, da camada de nervos com que eu ficava sempre que se aproximava a hora de lhe dar de mamar... bons tempos, é o que é...