5 de julho de 2009

Células Estaminais - preservar ou não, eis a questão!


Eis que vou abordar esta questão, que no início do séc. XXI tem sido tão falada e que a Tica já me tinha perguntado aqui há atrasado... Devemos ou não guardar as células estaminais que estão presentes no cordão umbilical do recém-nascido?
Eu e o maridão somos gente ligada à estética e ao pragmatismo, mas também somos muito crentes na ciência e tudo o que seja racional e exacto. Tendo este ponto de partida posso dizer que acreditamos piamente que a ciência evolui de tal forma que eventualmente deitará por terra o que hoje temos por certo e garantido. O que hoje em dia custa 1000 euros para 25 anos de preservação, poderá estar obsoleto ou mesmo em mau estado findos os tais 25 anos.
Antes de tomar a nossa decisão, não discutimos este assunto com a nossa médica, não sabemos a sua opinião e mesmo que a soubessemos acredito que me seria irrelevante.
Fiz alguma pesquisa em sites da especialidade e posso citar algumas coisas para ficar registado do que estamos afinal a discutir.

"As células estaminais são células que podem dar origem a diversos tipos celulares, ou seja, são indiferenciadas e têm capacidade de se auto-renovar e dividir indefinidamente."

"O objectivo da criopreservação das células estaminais do sangue do cordão umbilical é permitir que estas estejam disponíveis no futuro, para que possam ser utilizadas quando necessário."
"A criopreservação é a técnica através da qual é possível conservar, a temperaturas muito baixas (-196ºC), as células estaminais existentes no sangue do cordão umbilical. Desta forma, as células podem ficar armazenadas durante muitos anos sem que percam a sua viabilidade."

"Para muitas doenças o transplante é utilizado como tratamento standard, para outras o tratamento com células estaminais foi demonstrado como sendo benéfico mas as condições óptimas estão ainda em investigação. O sucesso terapêutico do transplante com sangue do cordão umbilical depende de diversos factores, tais como a condição física do paciente, tipo de doença, histocompatibilidade (em transplantes alogénicos), entre outros.

Em doenças genéticas e/ou congénitas, a utilização autóloga poderá não ser recomendada devido ao risco das células já estarem afectadas com a patologia. No futuro, a expursão (eliminação) das células doentes que possam estar a contaminar a amostra recolhida de sangue do cordão umbilical poderá alargar a gama de doenças tratadas com sangue do cordão umbilical autólogo, tal como tem ocorrido com a utilização de medula óssea ou sangue periférico autólogo"

"A aplicação prática das células na doença mais "conhecida" e anunciada pelos laboratórios, a Leucemia, não pode ser feita com células do próprio. Mesmo em caso de um irmão, só há 25% de probabilidade de serem compatíveis. Logo, o recurso aos bancos mundiais de medula óssea é o mais indicado. (...) Se todos doássemos as celulas, tinhamos um banco publico com recursos de investigação, que permitiria que os estudos avançassem mais rapidamente. (...) A inscrição no banco de dadores de medula óssea, é rápida e limita-se apenas à recolha de sangue! Não custa nada!"

Razões para a colheita não se efectuar ou ficar inutilizada:
"- Volume de sangue recolhido insuficiente;
- Clampagem do cordão umbilical, quanto mais rápida for, maior será o número de células recolhidas;
- O próprio tamanho do cordão umbilical;"
- Circulares.

O processo de preservação tem duas etapas monetárias, digamos assim, compra-se o kit que custa aproximadamente 30euros e depois paga-se a preservação propriamente dita que ronda os tais 1000euros. Se por algum motivo a preservação não for possível fica apenas a despesa inicial, onde o kit pode ser devolvido ou então oferecido a outra pessoa, por exemplo.
Toda a informação que disponibilizei pode ser refutada e não posso evidentemente por as mãos no fogo por nada do que se diz e escreve por aí, no entanto acho que neste processo de ponderação há sempre muita influência do marketing e de pressão psicológica, pois todos queremos o melhor para os que nos são queridos, sejam eles os nossos filhos, pais ou amigos do peito. Aposto mais nos bancos públicos e na clonagem de células ou outro qualquer processo mais contemporâneo ao surgimento de uma doença.


A informação obtida para fazer este post pode ser consultada na íntegra em Crioestaminal, De mãe para mãe, gforum.tv.

1 comentário:

Cristina disse...

De facto é um assunto complexo.
Como sabes nós optamos por não fazer a preservação.
Concordo com o que aqui dizes e de facto o banco público penso que seria a melhor solução.
Beijocas